Em meio à correria do dia a dia, o lar contemporâneo tem sido cada vez mais pensado como um espaço de pausa, acolhimento e desaceleração. Seja em um cantinho de leitura, em um ambiente dedicado à meditação, em uma varanda repleta de plantas ou até no resgate de hobbies deixados de lado, como aquele violão esquecido há tempos —, a casa passa a assumir também o papel de refúgio e reconexão.
O arquiteto Bruno Moraes, à frente do escritório BMA Studio, mostra como a arquitetura pode estimular momentos de descanso emocional por meio de ambientes pensados para desacelerar. Ele cria projetos com cantinhos de leitura, varandas acolhedoras, espaços para ouvir música, spas particulares, áreas contemplativas e ambientes criativos que ajudam a transformar a casa em um refúgio mais sensorial, afetivo e conectado ao bem-estar.
Ao invés de ambientes feitos apenas para impressionar, muitos moradores estão à procura do acolhimento à sua maneira. Bruno Moraes destaca que existe uma busca muito forte por ambientes que ativem em nós as sensações de calma e pertencimento, e que a casa contemporânea passou a ser um espaço essencial para a recuperação emocional.

Ele afirma que não existe uma regra para elaborar esses cômodos e tudo se forma a partir da sensibilidade da escuta que ele promove com cada um dos seus clientes. Acompanhe algumas ideias compartilhadas através de seus projetos:
Para se acomodar: Com um balanço suspenso ou uma poltrona disposta em um recuo mais reservado da área social, o arquiteto Bruno Moraes oferece aos moradores a possibilidades de relaxamento para corpo e mente. Nem todo espaço da casa precisa ser prático ou funcional. Em muitos projetos residenciais, Bruno Moraes elabora extensões para que a arquitetura de interiores inspire a pausa. O mobiliário exerce papel fundamental ao dispor de uma poltrona confortável próxima à janela, bancos integrados à marcenaria na varanda e até balanços suspensos que convidam à permanência.
São lugares idealizados para se conjugar verbos que acessam o cerne da existência humana: o sentar como exercício de estar consigo mesmo, deitar-se, respirar fundo e observar a luz natural mudar ao longo do dia. “São áreas onde as pessoas podem simplesmente diminuir o ritmo. Às vezes, um único móvel bem posicionado já modifica completamente a experiência da casa”, enfatiza o arquiteto.
Leitura em dia: Entre os espaços mais recorrentes nos projetos estão os cantos de leitura, preferencialmente localizados próximos à iluminação natural, em áreas antes pouco utilizadas ou integrados às salas, porém de maneira discreta. Com uma biblioteca particular, iluminação indireta, poltronas confortáveis em tecidos aconchegantes, os habitantes cultivam o amor pela literatura e experienciam a mágica que as obras exercem ao transpor nossas mentes nos locais e histórias narrados pelo autor. “Sem dúvidas, a tônica do ambiente é focada no acolhimento”, argumenta o profissional.

O poder da música: O arquiteto Bruno Moraes conta que é muito frequente encontrar moradores que têm nos acordes tocados por eles o momento de regozijo. Violões, guitarras, pianos e cajon compõem a decoração e expressam a paixão. Em contraponto ao consumo acelerado das plataformas digitais, alguns ambientes resgatam a experiência de ouvir e de se fazer música, seja em um estúdio particular, lounges intimistas, salas integradas com acústica confortável e nichos para vinis e equipamentos de som. De acordo com o arquiteto, esses elementos transformam a música em um ritual cotidiano.
“Eu mesmo gosto muito de tocar violão, por isso acredito que o ambiente muda completamente a forma como vivemos certos momentos. Escutar música em um espaço pensado para isso faz com que a vida seja muito mais imersiva”, compartilha.
Bar, adega e café: Os pequenos rituais da vida são carregados de simbolismos. O café, que tomamos tão automaticamente no decorrer do dia, merece uma atenção especial para escolher a cápsula a ser apreciada ou a torra preferida do café arábico que será moído e extraído pela máquina. Assim, quando o profissional percebe esse gosto do morador, ele busca inserir no projeto de interiores. “Preparar para si ou para um convidado, logo após um jantar, promove as breves satisfações que renovam os sentimentos”, verbaliza.
O mesmo acontece com o cantinho do bar com uma adega climatizada, a marcenaria com nichos para expor a coleção de rótulos, a cervejeira ou mesmo a bandeja com os destilados. “A melhor localização vem de encontro com os costumes e as preferências de quem viverá no projeto”, analisa Bruno que enumera a sala de jantar, o living e o espaço gourmet da varanda.
Ode à contemplação e spa para a mente: Imagine uma imersão em jacuzzi depois de um longo dia ou uma sauna num domingo à tarde: mais do que luxo, projetos com spas próprios estimulam experiências sensoriais dentro do lar. Para esse fim, Bruno indica aproveitar banheiros amplos para incluir banheiras de imersão e ofurôs, além de trabalhar uma cenografia com iluminação indireta, pedras naturais, madeira, aromas e texturas mais acolhedoras.



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