A atemporalidade na arquitetura de interiores é mais do que uma referência: é uma maneira de unir elementos que cruzaram as décadas e se firmaram como expoentes, tanto pelo valor estético, como pela funcionalidade nos ambientes. No material abaixo, a arquiteta Patricia Penna explica como ela trabalha para sempre manter esse frescor nos projetos.
A atemporalidade dentro da arquitetura de interiores sempre foi um tema muito discutido entre profissionais da área, entusiastas, admiradores e estudiosos: afinal, construir algo que resiste com o passar dos anos – tanto em estrutura, quanto em estética –, é uma tarefa que resulta em ambientes funcionais e harmônicos, mesmo com o advento de novas tendências e inovações tecnológicas.
E foi com essa premissa, já presente em seu trabalho, que a arquiteta Patricia Penna, responsável pelo escritório Patricia Penna Arquitetura & Design, projetou o seu ambiente para a tradicional Mostra Artefacto 2026, que trouxe a Maturidade como tema. No espaço, a profissional apresenta um generoso living em um dos lados, e, do outro, as áreas de jantar, bar e lounge de estar. Juntos, os espaços somam 110m² dedicados ao conforto e bem-estar. Com base no projeto, aberto para visitação do público, e em outros projetos realizados, ela enumera cinco pontos que considera para composições de ‘longa data’.

Equilíbrio entre o contemporâneo e o clássico

Com layout dinâmico e fluido, a sala de jantar executada por Patricia mescla cadeiras e mesa de design moderno em contraponto ao icônico lustre de cristais de rocha, que marcou as décadas 1960 e 1970. “Revisitar peças consagradas é uma maneira de trazer para um novo ambiente o charme do passado, incorporando itens com novas roupagens”, opina sobre essa combinação que é capaz de criar cenários arrebatadores. O segredo, de acordo com ela, é estabelecer um diálogo entre as peças, acompanhado pelo equilíbrio. “É importante mencionar que os dois períodos não podem ‘brigar’ entre si. É preciso que haja uma espécie de complementação que permita a valorização dos dois estilos”, analisa. Nesta concepção, a arquiteta ressalta que a base neutra é um recurso que a auxilia no processo.
O uso de materiais nobres como madeira e pedras

A excelência dos materiais escolhidos para um projeto, principalmente devido a sua durabilidade, faz uma referência direta com a atemporalidade. “Materiais resistentes cruzam a história da arquitetura como uma prova de sua qualidade e importância estética”, enfatiza a profissional que sempre leva a matéria-prima em consideração em seus projetos. Alguns dos materiais que podemos destacar são as pedras naturais, como o mármore, e a madeira que entra em cena por meio de painéis, marcenaria e mobiliários soltos.

Design curvo de poltronas e sofás

O marcante design orgânico, que invadiu os lares entre os períodos de 1930 até 1950, jamais saiu de moda e, atualmente, ganhou um novo boom de móveis que asseguram a potência desse estilo que cruzou décadas. “Além de todo seu impacto visual, as peças orgânicas favorecem a circulação pelos espaços, deixando um cômodo mais fluido e leve com a ausência de quinas e pontas”, acrescenta Patricia.

Iluminação indireta como ponto de aconchego. Responsável por proporcionar um grande bem-estar visual no ambiente, a iluminação indireta se propõe a deixar que a luz se propague no espaço com delicadeza, sendo ideal para ambientes aconchegantes. “No oposto, a luz profusa entrega sombras e ofusca os moradores”, detalha a arquiteta.

Paleta de tons neutros. As tendências nos brindam com tonalidades e cores que se destacam conforme o passar das estações. Contudo, algumas paletas se mantêm sempre em alta, principalmente quando nos referimos às neutras e sua ligação direta com a sofisticação. Graduações de cinza, branco, marrom, off-white.
