Experiente, a arquiteta Patricia Penna compartilha seu processo de curadoria das peças para aquisição e os critérios que utiliza para a distribuição pelos ambientes residenciais

Na arquitetura de interiores, a presença de obras de arte se traduz como uma maneira de transformar o ambiente com a essência do trabalho de curadoria, realizado para alinhar as expressões artísticas com o estilo da arquitetura de interiores, que norteia o projeto.
Especialista, a arquiteta Patricia Penna afirma que esta atuação envolve um entendimento que abrange vários critérios, a começar pela estética do belo que, segundo o filósofo britânico Roger Scruton, eleva o espírito humano, nos conecta com o sagrado e dá sentido à vida.
Na sua visão, a seleção realizada deve levar em conta a proposta do ambiente, incluindo a atmosfera e as sensações que se deseja passar, as especificidades que envolvem o morador, incluindo suas predileções e história, além, é claro, da sintonia que as obras terão com o projeto de interiores, entre outras características.
Como realizar a escolha das obras?

Segundo Patricia, o desenvolvimento de um projeto de arquitetura de interiores também considera a seleção/sugestão das obras de arte, para aquisição do cliente. Essa atuação, que é bastante comum nos projetos que realiza, leva em conta as referências artísticas que se conectam com a decoração e as preferências de quem habitará a residência, bem como a busca em galerias.
No seu entendimento, uma curadoria exímia é capaz de contar histórias, reflexões sobre períodos importantes das épocas e a proeza de revelar a proeminência da arte como meio de expressão do ser humano.
“Tenho um prazer muito grande de acompanhar os movimentos artísticos e de buscar novos nomes, principalmente os nacionais, que estão ganhando status por seus estilos arrojados e as técnicas”, argumenta, completando que também é bastante frequente o morador trazer alguma peça do seu acervo pessoal. “Sem dúvidas, isso agrega ainda mais personalidade ao resultado que almejamos”, acrescenta.

A profissional também explica a existência de outras motivações que corroboram a aquisição da obra de arte. O primeiro está no gosto pessoal, em função do encantamento que a peça exerce, e essa relação ajuda na compreensão sobre as preferências do morador. “Por essa observação, tenho condições de entender se ela entrará em posição de destaque ou com a discrição de se integrar, sutilmente, com o conjunto presente no espaço”, pondera. Outra possibilidade está no investimento e na valorização que haverá ao longo do tempo, bem como o senso de exclusividade.
Ao reiterar que a arte não entra de forma isolada nos ambientes, Patricia diz que as especificações do projeto também são determinantes para que as obras realmente expressem aquilo que se propõem.
Assim, os revestimentos aplicados, a marcenaria sob medida, o mobiliário e até mesmo os tecidos empregados no ambiente cooperam para parametrizar as obras a serem selecionadas. “Para a harmonia que buscamos eu também preciso considerar o diálogo que elas estabelecerão dentro do décor”, confirma Patricia sobre o seu processo de curadoria.

Como distribuir as obras
Patricia compartilha alguns critérios que a auxiliam na composição dos espaços. De acordo com ela, as obras podem se relacionar por meio de linguagens e estilos – acadêmica, cubista, abstrata, impressionista e cinética, entre outros –, sempre prezando pelo mix de cores ou por artistas. “Também podemos designar uma linha do tempo, entregando um contexto histórico”, menciona.
Entretanto, esclarece que não existem regras fixas estabelecidas e que é possível considerar outros caminhos estéticos e, até mesmo, sensoriais.

Iluminação adequada para a exibição das obras
Conforme orienta a arquiteta, a iluminação deve considerar aspectos importantes. Preponderantemente, em hipótese alguma a luz deve ofuscar a visão do observador e, para tanto, os elementos devem estar direcionados a partir de um feixe controlado.
“O excesso tanto prejudica a apreciação da arte, como pode danificá-la”, indica, adicionando que gosta de recorrer ao Olho de Moscou, spot delicadamente embutido no forro. “São pequenos refletores com lentes especiais para focar, milimetricamente, a obra – seja tela, escultura, ou outro tipo de obra. Além disso, o sistema oferece proteção UV que impede o desbotamento ou danos”, elucida.

Cuidar para uma vida longa
O primeiro passo é reconhecer o tipo da arte para só depois realizar a limpeza. Todavia, a profissional indica que a ‘sujeira’ cotidiana, marcada pelo acúmulo de pó, pode ser feita com espanador macio. Para fechar, também sugere que, para necessidades específicas, é vital consultar o artista ou a galeria como forma de mitigar o risco de danos.
Sobre Patricia Penna
No mercado há mais de 25 anos, a arquiteta Patricia Penna é destaque de mostra de decoração no Brasil e no exterior. Com a equipe multidisciplinar que faz parte do escritório Patricia Penna Arquitetura & Design, assina projetos de arquitetura e design de interiores nas áreas residenciais, corporativos e institucionais.
Seu principal objetivo é atender às expectativas de cada cliente, traduzindo seus anseios e concretizando-os. Transitando por estilos variados, trabalha com grande apuro e cuidado ao lado da equipe para atingir um resultado marcado pelo ecletismo e, sobretudo, pela identificação particular de cada cliente com o seu próprio projeto.
Conheça os projetos dos profissionais cadastrados no Viva Decora Pro.
