Para a arquiteta Juliana Faria, as medidas do móvel, a atenção com a ergonomia e o cuidado com a circulação no ambiente são fatores que definem o conforto, funcionalidade e integração ao projeto
Nem sempre é preciso lamentar a ausência de lugares no entorno da mesa de jantar. “Esse dilema é bastante frequente em plantas compactas”, afirma a arquiteta Juliana Faria. De acordo com ela, quando a quantidade de cadeiras não é suficiente para os moradores, seja em função do número de integrantes da família, ou pelo desejo de recepcionar em casa, o banco alemão, móvel estofado e encostado na parede, se revela como a melhor opção.
Ainda segundo a profissional, o interessante da peça está no seu aproveitamento de sua linearidade, favorecendo o acréscimo de mais assentos quando comparado à cadeira. “Sua extensão acolhe pessoas uma ao lado das outras, quando a cadeira demanda de um espaço individual para sua movimentação”, explica. Além do mais, a possibilidade de aproveitar o recuo do ambiente, seja com um banco linear ou em formato de L, reduz a área necessária para a circulação das cadeiras. “Inclusive, a mesa pode ficar mais próxima do banco justamente por essa condição”, complementa.
E embora o desenho do banco alemão seja simples, Juliana adverte que o planejamento é essencial para seu pleno funcionamento. No desenho, é preciso analisar as dimensões compatíveis com a mesa, circulação e, principalmente, as características do morador e do imóvel.
O conforto começa nas medidas
A altura do assento é um dos primeiros pontos a considerar e, como referência, ela relata que a medida final do móvel, já somado ao estofado, costuma ficar entre 45 e 48 cm – a variação ocorre em função da densidade da espuma, que interfere nessa conta. Ainda sobre o bem-estar, a arquiteta relata que o material mais firme cedo menos ao peso do corpo, enquanto uma mais macia reduz a altura quando a pessoa se senta.
A profundidade transita entre 50 e 55 cm em uma variação que, de acordo com ela, depende do tipo de encosto e do conforto desejado. “Almofadas soltas, encostos mais volumosos ou estruturas mais enxutas alteram a percepção do espaço e precisam entrar no cálculo”, argumenta dizendo que sua preferência é por densidades de média a alta devido à qualidade da permanência ao ocupante do banco, bem como a longevidade do material.
Mas a ergonomia não está focada apenas nestes requisitos: na parte inferior, uma base levemente inclinada, recuada e, sobretudo, próxima ao piso, facilita o recolhimento das pernas e possibilitando que o usuário se encaixe na mesa mais facilmente. “Uma formatação totalmente reta e com aparência de caixa nem sempre representa a melhor solução”, descreve a especialista.
Mais lugares, menos área de circulação
É justamente no aproveitamento do espaço que o banco alemão encontra uma de suas principais vantagens e Juliana reforça a flexibilidade na quantidade de pessoas acomodadas. Crianças, por exemplo, podem ocupar o mesmo banco com facilidade, enquanto os adultos conseguem ajustar um pouco mais a distância entre si em situações de casa cheia. “É aquela ideia de sempre cabe mais um”, brinca.
Mais lugares, menos área de circulação
A profundidade transita entre 50 e 55 cm em uma variação que, de acordo com ela, depende do tipo de encosto e do conforto desejado. “Almofadas soltas, encostos mais volumosos ou estruturas mais enxutas alteram a percepção do espaço e precisam entrar no cálculo”, argumenta dizendo que sua preferência é por densidades de média a alta devido à qualidade da permanência ao ocupante do banco, bem como a longevidade do material.
Mas a ergonomia não está focada apenas nestes requisitos: na parte inferior, uma base levemente inclinada, recuada e, sobretudo, próxima ao piso, facilita o recolhimento das pernas e possibilitando que o usuário se encaixe na mesa mais facilmente. “Uma formatação totalmente reta e com aparência de caixa nem sempre representa a melhor solução”, descreve a especialista
Para facilitar esse movimento, ela costuma priorizar mesas com base central, evitando que os usuários esbarrem nos pés laterais ao entrar ou sair do banco.
Função extra
Explorando a versatilidade tão frequente nos mobiliários, o banco alemão dispõe do potencial de se transformar em espaços de armazenamento por meio de gavetas ou baús. “Sempre faço a pergunta ‘Onde você guarda a sua árvore de Natal?’. O banco alemão é perfeito para esses itens que usamos em apenas um período do ano e que, muitas vezes, ficamos sem lugar para acomodar”, conta a arquiteta.
O recurso exige atenção ao projeto e, no caso do baú, a abertura do tampo precisa ser planejada para não interferir no encosto na praticidade no dia a dia e os assentos estofados soltos devem contar com algum sistema de fixação que impeça deslocamentos, mas permita sua retirada para limpeza.
Tecido precisa acompanhar a rotina
Por estar normalmente associado à sala de jantar, copa ou cozinha, o banco fica sujeito a manchas e respingos. Por isso, o revestimento deve ser escolhido a partir da rotina da casa, e não apenas da aparência.
A composição do tecido, a resistência à abrasão e a facilidade de limpeza entram nessa avaliação. “Crianças e animais também aumentam a preocupação por especificar materiais mais resistentes e hoje contamos com existem tecidos tecnológicos com estampas diversas, aspecto aconchegante e duráveis”, acrescenta.
Não existe um único formato para o banco alemão e na experiência da profissional ele pode ser confeccionado em marcenaria (o mais tradicional), concreto aparente ou com estrutura suspensa, além de receber encosto fixo ou almofadas soltas, com volumes mais generosos ou desenho mais enxuto. Essa liberdade acompanha diferentes estilos arquitetônicos e a adaptação ao ambiente.
“Dependendo do tecido, volume, tratamento da marcenaria, estofado e do tipo de encosto, conseguimos entregar visuais muito distintos um dos outros”, refere-se a profissional.
Sobre a arquiteta Juliana Faria
Juliana é arquiteta com sólida experiência em projetos de arquitetura de interiores. Depois de uma carreira no mundo corporativo, em 2026 completa 8 anos à frente do seu escritório. Nas reformas empreendidas, apresenta seu olhar apurado para composição, materiais e funcionalidade, aliado a uma habilidade natural de comunicação que faz seus clientes se sentirem ouvidos e seguros ao longo de todo o processo. Sua abordagem combina rigor técnico com sensibilidade humana — o resultado são espaços que não apenas impressionam visualmente, mas que fazem sentido para quem os habita.
