Paredes coloridas transformam ambientes e valorizam a arquitetura de interiores
Da pintura em um tom único, composições geométricas e revestimentos como o papel de parede, a arquiteta Cristiane Schiavoni mostra como a composição define a personalidade e o visual dos projetos

Embora a integração dos ambientes tenha como premissa a eliminação de barreiras físicas, a parede representa muito mais do que um elemento divisor entre espaços. Na arquitetura de interiores, ela mantém a função de delimitar áreas, contribuir para a identidade visual do projeto, valorizar elementos decorativos e influenciar diretamente a percepção das proporções e da organização espacial.
E se por muito tempo os tons neutros predominaram nas tintas, papeis de paredes e outros revestimentos, essa realidade mudou bastante nos últimos anos. Segundo a arquiteta Cristiane Schiavoni, a paleta com cores expressivas ganhou abertura nos projetos justamente pelo intuito de adicionar personalidade aos ambientes.
“Uma construção cromática mais viva modifica o ambiente tanto pela conexão que promove no layout, como pela intenção de criar um ponto específico de interesse. Nada é realizado de forma aleatória e o fundamental é trabalhar o círculo cromático para alcançar o efeito pretendido em harmonia com as demais áreas”, pontua.
A cor como parte da composição
De acordo com a profissional, uma parede colorida não precisa, necessariamente, assumir o protagonismo: a sua presença pode ser constituída como uma base visual para valorizar o mobiliário ou entrar em cena para estabelecer contrastes e conduzir o olhar. Tendo em vista que tudo depende da intenção do projeto, ela diz que nuances mais suaves se alinham com propostas mais serenas, enquanto os mais saturados reforçam seu caráter singular. “Isso não significa, porém, que uma cor tenha sempre o mesmo efeito: a iluminação natural e luminotécnica, o tamanho das áreas e a combinação com outros materiais interferem diretamente”, ressalta.


Duas cores, um só movimento
Outra possibilidade é desenvolver arranjos de cores explorando linhas, formas e contrastes. A pintura geométrica permite delimitar áreas, destacar planos e introduzir movimento visual sem depender de móveis ou objetos decorativos.

O uso de duas ou mais cores exige atenção quanto à proporção e o desenho que orienta a divisão para que o resultado seja coerente com a intenção do projeto. “Nesta conta eu também considero a tamanho e a posição dos itens que serão dispostos na parede”, observa a arquiteta.

Mais possibilidades com o papel de parede
A pintura não é a única maneira e o papel de parede é uma alternativa eficaz para agregar estampas, texturas e combinações cromáticas que seriam mais difíceis para reproduzir apenas com a tinta. “Ele sempre esteve presente na arquitetura de interiores, mas de um tempo para cá tenho acompanhado uma evolução impactante na estética e nas texturas”, argumenta a profissional.

Para recobrir as paredes, a definição do papel de parede deve considerar a relação com os demais acabamentos. Desenhos marcantes como paisagens assumem destaque, enquanto padrões discretos acrescentam textura e profundidade.

Paredes que integram as técnicas do color drenching ou monocromia
Aqui entra um ponto bem discutido quando a proposta é atuar com uma cor prevalente não apenas na parede, como nos demais itens do ambiente: color drenching ou a monocromia? Embora relacionadas, as estéticas não são sinônimas.
Na primeira, a mesma cor se manifesta nas paredes, teto, portas, mobiliário e marcenaria, entregando uma continuidade visual mais envolvente. Conforme detalha a arquiteta, o color drenching não depende de tons vibrantes, já que os suaves também revestem diferentes planos, enquanto mudanças de acabamento entregam nuances sem interromper a composição. “O resultado depende da relação entre a cor escolhida, a iluminação e as proporções do espaço”, detalha. Já a configuração monocromática reúne diferentes modulações de uma cor com variações de intensidade.
Revestimentos também marcam presença
Pedras naturais e porcelanatos ampliam as possibilidades, reforçando que as paredes também assumem as cores ao emularem a autenticidade da natureza. “Além da nuance principal, veios, desenhos e variações de textura interferem no resultado, especialmente quando ocupa uma área extensa ou percorre diferentes superfícies”, finaliza Cristiane.

Sobre a arquiteta Cristiane Schiavoni
Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (FAU-USP), Cristiane Schiavoni atua na área de arquitetura, decoração e reforma desde 1996 e hoje, o escritório que leva seu nome, tem mais de 20 anos de história, reunindo centenas de projetos dentro e fora do Estado de São Paulo. Em suas criações residenciais e comerciais, publicadas em importantes veículos brasileiros, elementos-surpresa e toques de cor se misturam aos recursos que garantem o conforto e o aconchego dos moradores.
Acabamentos aplicados de maneira incomum e materiais versáteis também são presenças constantes nos trabalhos de Cristiane Schiavoni. O resultado se reflete na concepção de ambientes modernos, humanizados e dinâmicos, que convidam ao bem-estar e, principalmente, traduzem a essência de cada cliente.
www.cristianeschiavoni.com.br
@cristianeschiavoni
Conheça mais projetos de Cristiane Schiavoni e outros profissionais cadastrados no Viva Decora Pro.
