Quando se trata de construir ou reformar, as portas e janelas muitas vezes são escolhidas apenas pela estética. No entanto, as esquadrias desempenham um papel muito mais significativo, influenciando diretamente a iluminação natural, a ventilação, o conforto térmico e acústico, além da durabilidade da construção. Os arquitetos Alexandre Pasquotto e Mariana Meneghisso, do escritório Meneghisso & Pasquotto Arquitetura, compartilham insights valiosos sobre o que considerar na hora de escolher esquadrias para residências e apartamentos.
Entre os temas abordados, estão os diferentes materiais disponíveis no mercado, como alumínio, madeira, serralheria e PVC, os cuidados na especificação dos vidros, as tendências de acabamentos e os erros mais comuns que podem comprometer o desempenho das portas e janelas ao longo do tempo.
As esquadrias de portas e janelas não são escolhidas apenas pela estética: elas desempenham um grande impacto no conforto térmico, na iluminação natural, na acústica e até na durabilidade da edificação ao longo dos anos. Essas questões se tornam ainda mais evidentes dentro da arquitetura contemporânea que enfatiza grandes aberturas de vidros para aproximar as áreas externas ao interior das edificações.

Antes ajustadas em janelas menores e mais compartimentadas, o elemento passou por uma transformação importante nas últimas décadas e atualmente é visto sob a alcunha de amplos panos de vidro encontrados nas sacadas de apartamentos e residências. “Os modelos de vidro acompanham uma mudança importante no modo de vida dentro de casa”, explica o arquiteto Alexandre Pasquotto, sócio da também arquiteta Mariana Meneghisso no escritório Meneghisso & Pasquotto Arquitetura. “Esse caminho também favorece a entrada de luz natural e ventilação cruzada que tanto são benéficas para o meio ambiente e o bem-estar dos moradores”, complementa.
Para Mariana Meneghisso, o impacto das esquadrias também influencia diretamente a atmosfera da casa. “O vidro deixa os ambientes mais leves, sofisticados e muito mais conectados com a paisagem do entorno. Mesmo em apartamentos menores, uma pequena abertura faz o espaço respirar melhor e propicia a sensação de liberdade dentro do imóvel”, comenta.

Querer aproveitar uma varanda envidraçada às três da tarde é uma das maiores preocupações de quem deseja investir em grandes aberturas de vidro. O receio de passar muito calor, de acordo com os profissionais, depende diretamente do estudo do projeto: quando não existe um estudo adequado de ventilação e proteção externa, o ambiente corre riscos de superaquecer no decorrer do dia. “O problema não está na utilização do vidro em si, mas na forma como ele é especificado”, constata Alexandre.

Além do mais, atualmente existem tecnologias capazes de reduzir significativamente a entrada de calor como vidros com controle solar, películas especiais e sistemas insulados. Para Mariana, o segredo está justamente no equilíbrio entre luminosidade e conforto. “As pessoas querem casas mais claras e integradas, mas também desejam ambientes agradáveis para viver. O bom projeto consegue filtrar o excesso de calor sem perder a sensação de amplitude e conexão com o exterior”, afirma.
A escolha da estrutura das esquadrias costuma dividir opiniões, porque cada material possui características específicas tanto no desempenho, quanto na estética.

Segundo os arquitetos, atualmente o alumínio é a saída mais empregada nos projetos por combinar resistência, baixa manutenção e versatilidade estética. O material é indicado para áreas expostas à umidade ou mudanças climáticas, além de funcionar muito bem em grandes vãos. “O material apresenta um excelente desempenho, especialmente quando recebe pintura eletrostática ou anodização, e demanda baixa manutenção no dia a dia”, completa Alexandre.
Associada ao estilo industrial e contemporâneo, a serralheria permite perfis mais finos e delicados visualmente, resultando em um desenho mais elegante e minimalista para portas e janelas. Em compensação, o arquiteto pontua a necessidade de manutenção frequente para evitar oxidação ao longo do tempo.
Sempre associada ao aconchego e à sofisticação natural, a madeira é referência nos projetos que se conectam com uma linguagem mais afetiva. Entretanto, apesar do forte apelo visual, ela demanda um tratamento específico e manutenção preventiva para lidar com as intempéries da natureza.
Já os caixilhos de PVC também vêm conquistando espaço em projetos que buscam alto desempenho térmico e acústico, principalmente em residências localizadas em regiões de clima mais extremo ou em áreas urbanas com maior incidência de ruídos. Além da durabilidade e da baixa manutenção, o PVC oferece boa estabilidade e pode receber acabamentos que simulam madeira, ampliando as possibilidades estéticas. “Quando bem especificado, é um material bastante eficiente e que entrega excelente desempenho ao longo dos anos”, explica Alexandre Pasquotto.
Durante muito tempo, o preto dominou os projetos contemporâneos. No entanto, as esquadrias ganharam abertura para aderir novas cores e acabamentos. Para Mariana, os tons grafite, bronze, champagne e amadeirados estão cada vez mais presentes, principalmente quando existe a intenção de um visual mais sofisticado. Todavia, a cor não é apenas um detalhe, uma vez que também interfere no comportamento térmico do material. “Tons mais escuros absorvem mais calor, o que pode influenciar na dilatação dos perfis e no conforto térmico dos ambientes, a depender da incidência solar”, pontua.

A arquiteta acredita que a definição precisa levar em conta fatores como orientação solar, exposição ao calor e linguagem arquitetônica da casa. “As esquadrias funcionam quase como molduras da paisagem”, define.
Uma das dúvidas mais comuns envolve a espessura correta do material, que deve levar em consideração o tamanho da peça, altura da instalação, incidência de vento, localização do imóvel e até o nível de ruído externo. “Em panos de vidro de grandes dimensões, a espessura e a composição do vidro são cruciais para garantir segurança e desempenho adequado”, finalizam os arquitetos.
Sobre a Meneghisso & Pasquotto Arquitetura
Com referências importantes na viabilidade executiva do projeto, somado a formação afinada em forma e estética, a dupla de arquitetos se completa na criação e concepção dos trabalhos. O escritório atua em projetos residenciais, comerciais e corporativos. Tendo como premissa produzir soluções, através de projetos autorais funcionais, atemporais, nos diversos vieses estéticos e de estilo, que traduzam boa arquitetura e a personalidade do cliente.
Em 2025, o escritório fez sua estreia na CASACOR São Paulo, o maior evento de design, arquitetura e decoração das Américas, com o banheiro Natureza em Essência.
Mariana Meneghisso. Arquiteta Urbanista pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, Design de Interiores pela Escola Panamericana de Artes. Pós Graduada em Responsabilidade Civil pela Fecaf, Pós Graduada em Neuroarquitetura pela Ipog, Especialista em Perceptual Design pelo Instituto Politécnico de Milão. Membro da Academy of Neuroscience for Architecture Brasil. Sócia da Meneghisso & Pasquotto Arquitetura desde 2005.
Alexandre Pasquotto. Arquiteto Urbanista pela Universidade Bandeirantes de São Paulo, Técnico em Edificações pela E.T.E. Júlio de Mesquita, Pós Graduado em Cálculo Estrutural pela Ipog, atua na construção civil residencial, industrial e corporativa desde 1992, consultor em dimensionamento, viabilidade e custos no ramo civil. Sócio desde 2004 da Meneghisso & Pasquotto Arquitetura.
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