Janela camarão: entenda como esse fenômeno da ‘arquitetura de interiores’ pode ampliar espaços e integrar ambientes

A solução permite ampliar os vãos e flexibilizar a conexão entre áreas internas e externas, mas exige avaliação técnica antes da instalação. Arquiteta à frente da BESPOKE Dela, Rafaela Giudice traz modos de uso através dos projetos ‘Amoroso’ e ‘Conquista’.

A escolha das esquadrias pode interferir diretamente na forma como os ambientes são utilizados. Quando permitem grandes aberturas, essas estruturas favorecem a entrada de luz natural, a circulação de ar e a conexão entre diferentes áreas da casa. A janela pantográfica, conhecida popularmente como “janela camarão”, aparece nesse contexto como uma alternativa para reduzir barreiras físicas ao criar novas possibilidades de integração.

Em projetos residenciais, a solução pode ser aplicada em diferentes ambientes e permite ampliar os vãos quando há necessidade de integrar áreas internas e externas. Além dos efeitos sobre iluminação e ventilação, o modelo possibilita manter os espaços separados em determinados momentos, oferecendo maior flexibilidade na configuração da casa.

BESPOKE Dela | Projeto Amoroso, mostrando a integração da sala e cozinha com o exterior através de janelas pantográficas
Foto: Dander Freitas · BESPOKE Dela | Projeto Amoroso, mostrando a integração da sala e cozinha com o exterior através de janelas pantográficas

A arquiteta Rafaela Giudice e CEO do escritório BESPOKE Dela, explica que prefere utilizar o termo técnico “janela ou porta pantográfica” para definir a solução. Segundo a profissional, o recurso não necessariamente está mais presente nos projetos residenciais, mas costuma ser escolhido em propostas que buscam maior personalidade e ousadia. A especialista também chama atenção para a diferença de percepção em relação ao termo “porta camarão”, associado por muitas pessoas a modelos de PVC utilizados em banheiros.

“Eu não diria que a janela pantográfica está aparecendo mais, mas que ela costuma estar presente em projetos que têm mais personalidade e ousadia. Gosto de usar o termo técnico, que é porta ou janela pantográfica, porque muitas pessoas associam ‘porta camarão’ àquela porta de PVC que divide banheiro e acabam depreciando a solução. Esse tipo de esquadria permite ampliar os vãos de ventilação e contribui para uma maior integração dos espaços”, explica Rafaela.

No Projeto Amoroso, uma casa de vila com 120 m² que leva a assinatura da arquiteta, a solução foi utilizada na sala e na cozinha durante a reforma. A residência, que antes possuía espaços compartimentados e pouco conectados, passou por uma reorganização que priorizou circulação, iluminação natural e integração entre os ambientes. As janelas pantográficas aproximaram as áreas internas do espaço externo e permitiram que os moradores tivessem diferentes possibilidades de uso do espaço, mantendo a opção de fechar os ambientes quando necessário.

BESPOKE Dela | RAFAELA GIUDICE - PROJETO AMOROSO
Foto: Dander Freitas · BESPOKE Dela | RAFAELA GIUDICE – PROJETO AMOROSO

“A escolha foi justamente para ampliar os vãos de iluminação natural e a integração entre os espaços, unindo o externo e o interno. A solução ajuda na leveza dos espaços e minimiza as barreiras que as paredes em alvenaria ou drywall costumam criar. Também é sempre uma boa solução quando se quer ter um espaço integrado, mas, ao mesmo tempo, se quer poder isolar o espaço quando necessário”, afirma.

A aplicação também aparece no Projeto Conquista, com uma porta pantográfica entre a garagem e a sala e uma janela do mesmo modelo entre a cozinha e a área externa dos fundos. A abertura completa permite modificar a relação entre os ambientes e ampliar as possibilidades de circulação e convivência. Em momentos em que o vão permanece aberto, uma bancada próxima à janela também pode assumir outras funções, como apoio ou aparador, mostrando como a escolha da esquadria pode interferir na utilização cotidiana da casa.

BESPOKE Dela | Projeto Conquista, com porta pantográfica entre a garagem e a sala
Foto: Dander Freitas · BESPOKE Dela | Projeto Conquista, com porta pantográfica entre a garagem e a sala

“Antes da estética, eu destacaria justamente esses benefícios. A possibilidade de ampliar a abertura interfere na iluminação natural, na ventilação e na integração dos espaços. Quando conseguimos abrir completamente o vão, também mudamos a forma como os ambientes são utilizados, porque os limites entre eles ficam menos rígidos”, destaca Rafaela.

Apesar das possibilidades de integração, a escolha da esquadria exige avaliação das características de cada imóvel. Dimensões dos vãos, espaço necessário para o recolhimento das folhas, funcionamento do sistema, preferência dos moradores e custo são alguns dos pontos que precisam ser considerados antes da instalação. A execução também deve receber atenção para garantir o desempenho da estrutura e reduzir a possibilidade de problemas posteriores.

BESPOKE Dela | Projeto Conquista
Foto: Dander Freitas · BESPOKE Dela | Projeto Conquista
BESPOKE Dela | Projeto Conquista
Foto: Dander Freitas · BESPOKE Dela | Projeto Conquista

“Nem todo ambiente é condizente com esse tipo de solução, assim como nem todo cliente gosta desse tipo de esquadria. É importante lembrar que é um tipo de fechamento que precisa ser muito bem executado para que não gere manutenção, e nem infiltração. Antes da estética, precisamos garantir o funcionamento dessa solução”, conclui.

BESPOKE Dela | PROJETO FIONA
Foto: Dander Freitas · BESPOKE Dela | PROJETO FIONA

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