O filtro dos sonhos, ou apanhador dos sonhos, carrega séculos de história e simbologia. Presente em quartos, salas e espaços de meditação ao redor do mundo, esse amuleto desperta curiosidade tanto pelo que representa quanto pelo que transmite a quem o tem por perto.
Mais do que um objeto bonito, ele é cercado de tradição e significados profundos. Com isso, a forma como é feito e o lugar onde fica influenciam o sentido que a peça assume no ambiente. Se você quer entender melhor esse amuleto, continue lendo.
O que é e qual é a origem do filtro dos sonhos?

O filtro dos sonhos, também chamado de apanhador de sonhos, é um amuleto da cultura indígena norte-americana criado pelo povo Ojibwe, da região dos Grandes Lagos. Para esse povo, os sonhos tinham grande importância espiritual e simbólica.
A crença mais difundida diz que o amuleto separa os sonhos bons dos ruins. Os bons passam pela teia e chegam até quem dorme. Os ruins ficam presos nos fios e se dissipam com a claridade do amanhecer. Com o tempo, a tradição se espalhou e o objeto passou a circular em diferentes culturas e estilos de decoração.
É importante ressaltar que esse amuleto tem origem espiritual e afetiva para muitas comunidades indígenas. Por isso, conhecer essa história antes de ter a peça em casa é uma forma bonita de respeitar quem a criou.
Quais lendas estão por trás do apanhador de sonhos?

Entre os Ojibwe, a lenda mais conhecida envolve Asibikaashi, a Mulher Aranha, figura protetora ligada ao cuidado com crianças. Como ela não conseguia alcançar todos os bebês à medida que o povo se espalhava, mães, irmãs e avós passaram a tecer teias com aro de salgueiro para protegê-los.
Outra história conta que uma avó poupou uma aranha e, em agradecimento, ela criou uma teia para filtrar pensamentos ruins durante o sono. As duas narrativas partem do mesmo lugar: proteção, cuidado e uma ligação profunda com o mundo dos sonhos.
O que cada parte do filtro dos sonhos representa?

Em versões tradicionais, o filtro usava aro de salgueiro e trama de fibras naturais. Com o tempo, surgiram modelos com penas, miçangas, pedras e outros adornos. Esses elementos variam entre tradições e comunidades. De forma geral, os elementos mais comuns recebem essas associações:
- o círculo pode representar o ciclo da vida, a continuidade e a proteção, além de ser relacionado ao sol e ao movimento do tempo;
- a abertura central é vista em muitas interpretações como o ponto por onde os bons sonhos passam;
- a teia remete à conexão e ao caminho dos sonhos. A forma da trama pode mudar conforme a tradição e a intenção da peça;
- as penas aparecem em muitos modelos como símbolo de leveza;
- as miçangas e pedrinhas são opcionais e podem receber sentido pessoal, espiritual ou apenas decorativo.
Cada cor do filtro dos sonhos tem um significado?

As cores do filtro dos sonhos não pertencem à tradição indígena original. Essa associação surgiu no uso popular contemporâneo. Ainda assim, muita gente escolhe a cor pela intenção pessoal ou pela decoração, com significados simbólicos atribuídos de forma cultural. Confira o que costuma ser atribuído a cada uma:
- branco: paz e clareza;
- azul: tranquilidade e descanso;
- verde: cura e equilíbrio;
- amarelo ou dourado: criatividade e foco;
- rosa: afeto e delicadeza;
- vermelho: força e energia;
- roxo ou violeta: intuição e espiritualidade;
- laranja: alegria e vitalidade;
- marrom: estabilidade e conforto;
- preto: introspecção e proteção.
Onde o filtro dos sonhos deve ser colocado?

O lugar ideal é onde a luz do sol chegue diretamente, porque a claridade do amanhecer é, segundo a crença popular ligada ao amuleto, o que ajuda a dissipar as energias negativas presas na teia. Por isso, posições próximas a janelas são recomendadas.
O quarto é o cômodo mais indicado, especialmente acima da cabeceira da cama. Sala de estar, cantinhos de leitura e espaços de descanso são boas opções para incluir o amuleto, desde que a peça esteja em um ponto visível e com sentido dentro da composição.
Se a ideia é incluir em quartos infantis, a segurança precisa vir antes de qualquer coisa. Por esse motivo, o filtro deve ficar bem preso, alto e fora do alcance das crianças, sem cordões soltos perto do berço ou da cama.
Em quais estilos de decoração o filtro dos sonhos se encaixa?

O amuleto se adapta a diferentes estilos, desde que o modelo escolhido esteja em harmonia com o restante do ambiente. Por exemplo, em decorações boho e rústicas, versões em macramê com cordão de algodão cru ou juta criam um efeito natural, bonito e com boa combinação com paredes claras, móveis de madeira e plantas.
Para ambientes minimalistas ou escandinavos, filtros em cores neutras e com poucos adornos se integram de forma natural. Em quartos coloridos e descontraídos, modelos vibrantes em crochê ou com penas tingidas trazem movimento e alegria.
De modo geral, a peça pode aparecer sozinha como foco visual ou compor um arranjo com quadros, espelhos e objetos artesanais. O segredo está em manter a proporção e coerência com o restante da decoração.
Como fazer um filtro dos sonhos?

Fazer o próprio filtro dos sonhos é mais simples do que parece. Aros entre 8 cm e 30 cm cobrem a maioria dos projetos: os menores combinam com quartos infantis e composições com várias peças juntas, os maiores funcionam bem como peça única na parede.
Para começar, separe o aro, fita de cetim ou cordão para envolver a base, linha ou barbante para a teia e uma tesoura. Se quiser caprichar no acabamento, penas, miçangas e pedrinhas entram no final. Para fixar as penas, você também vai precisar de cola e um pedaço de linha extra. Esse é o passo a passo:
- Pegue um pedaço longo de barbante ou cordão e envolva todo o aro até cobrir a base. Ao terminar, dê dois nós para firmar. Se quiser, aplique um pouco de cola no acabamento.
- Se o fio acabar no meio do processo, corte outro pedaço, amarre no aro e continue.
- Para iniciar a teia, puxe o fio para a lateral interna do aro, formando uma linha esticada. Passe o fio por trás do aro e depois por dentro dessa linha para criar o primeiro laço.
- Repita esse movimento ao redor de toda a borda, mantendo espaços parecidos entre os laços.
- Depois da primeira volta, siga prendendo cada novo laço no centro dos laços anteriores. Repita esse movimento até a teia fechar no centro.
- Para finalizar a teia, prenda a ponta no último laço, dê um nó firme e corte o excesso de fio.
- Corte alguns fios, amarre na parte inferior do aro e deixe pendurados no comprimento que preferir.
- Para prender as penas, aplique cola na base, posicione no fio e enrole um pedaço de linha ao redor até cobrir. Um nó no final segura tudo. Miçangas e pedrinhas podem entrar nesses fios também.
- Por fim, prenda uma alça na parte superior e o filtro está pronto para pendurar.
O filtro dos sonhos existia muito antes de virar item de decoração. Ele nasceu de uma cultura viva, de lendas passadas entre gerações e de um cuidado genuíno com o mundo dos sonhos. Essa história é o que a peça carrega, independentemente de onde for pendurada.
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