O rodapé merece mais atenção? Arquitetura contemporânea mostra que sim

Já reparou que um dos menores elementos de um ambiente pode ser justamente aquele que impede infiltrações, disfarça imperfeições, resguarda as paredes dos impactos e da umidade, e ainda contribui para a percepção de espaço? O rodapé está longe de ser apenas uma faixa entre o piso e a parede já que, na prática, ele participa do desempenho e da linguagem visual do projeto.

Para a arquiteta Juliana Faria, além de cumprir seu papel, ele também valoriza o projeto, em especial nos ambientes considerados como molhados. “Em cozinhas e banheiros, ele preserva as paredes durante o processo de limpeza, ainda mais pelo hábito dos brasileiros de jogar água para lavar o piso”, explica.

Ademais, o rodapé ainda cobre a folga deixada entre o piso e a parede, necessária para que revestimentos como porcelanato, madeira e vinílico possam se expandir ou retrair conforme as variações de temperatura, mas sem comprometer a instalação.

Quanto mais discreto, melhor para o ambiente

Projeto: Juliana Faria | A arquiteta Juliana Faria mostra como o rodapé vai além da função de proteger o encontro entre piso e parede: o acabamento também valoriza a estética e influencia a percepção dos espaços.
Foto: Gustavo Awad — Projeto: Juliana Faria | A arquiteta Juliana Faria mostra como o rodapé vai além da função de proteger o encontro entre piso e parede: o acabamento também valoriza a estética e influencia a percepção dos espaços.

Além do invertido, a profissional relata que existem os embutidos, que se apresentam no mesmo nível da parede, e os sobrepostos, que são os mais tradicionais. Entretanto, ela revela sua preferência por modelos baixos e pretos. A escolha, segundo ela, tem menos relação com tendência, mas sim com estratégia.

O efeito mencionado por Juliana também interfere na leitura das proporções. Em apartamentos contemporâneos, onde pés-direitos variam entre 2,40 e 2,50 m, um componente muito alto pode fragmentar visualmente a parede e acentuar a sensação de limitação. “Gosto muito da discrição que preserva a continuidade das superfícies e ajudam a na percepção de uma parede maior”, pontua.

“Eles criam uma linha de sombra muito elegante na transição diferente, tal qual se o piso se desprendesse da parede. Desta forma, o protagonismo fica para a arquitetura de interiores do ambiente”, argumenta.

Essa lógica, porém, não é absoluta. Em imóveis com pé-direito elevado ou com uma leitura mais clássica, a arquiteta diz que as versões entre 7 e 20 cm de altura, com frisos e cores claras podem dialogar melhor com o conjunto do projeto. “Proporção é a palavra-chave e o rodapé precisa fazer sentido com o estilo do ambiente”, sintetiza.

Funcionalidade também pesa na escolha

Projeto: Juliana Faria | Segundo a arquiteta Juliana Faria, o rodapé preto alia estética e praticidade ao disfarçar as marcas provocadas pelo uso diário.
Foto: Gustavo Awad — Projeto: Juliana Faria | Segundo a arquiteta Juliana Faria, o rodapé preto alia estética e praticidade ao disfarçar as marcas provocadas pelo uso diário.

A estética costuma ser o primeiro aspecto percebido pelo morador, mas é a rotina que coloca o rodapé à prova. Juliana destaca que o rodapé preto é eficiente para esconder as marcas deixadas pela movimentação de vassouras, aspiradores e o tempo de uso – um problema recorrente em peças claras.

“Por reunir praticidade, durabilidade e um bom custo-benefício, ele acabou se tornando uma assinatura dos nossos projetos”, comenta. Segundo ela, clientes mais tradicionais, em princípio, não recebem bem a ideia por estarem acostumados com as versões mais altas e ornamentadas. “Mas quando eu discorro sobre as vantagens, é muito frequente a aceitação”, complementa.

De modo geral, antes de bater o martelo a matéria-prima do rodapé, a arquiteta recomenda considerar as características do ambiente. Poliestireno e alumínio oferecem bom desempenho em locais sujeitos à umidade – materiais inadequados nesses cômodos podem sofrer deformações precoces. “Não adianta escolher um rodapé bonito se ele não suporta as condições de uso daquele espaço”, conclui Juliana.

Sobre a arquiteta Juliana Faria

Juliana Faria é arquiteta com mais de 20 anos de experiência. Em 2026, completa oito anos à frente do próprio escritório de arquitetura de interiores, período em que consolidou uma atuação marcada pelo olhar apurado para composição, escolha de materiais e funcionalidade dos espaços.

Sua trajetória reúne conhecimento técnico e uma habilidade natural de comunicação, fazendo com que os clientes se sintam ouvidos e seguros durante todas as etapas do projeto. Com uma abordagem que alia rigor técnico e sensibilidade humana, Juliana cria ambientes que traduzem estilo de vida, necessidades e a personalidade de quem os habita.

Confira os projetos da Juliana Faria e de outros profissionais no Viva Decora Pro.

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